Em menos de 24h vivi duas realidade diferentes no trem.
A primeira delas aconteceu ontem, as 17h25, quando voltava para casa depois de um dia de trabalho. O trem estava lotado. A cada estação saiam duas pessoas e entravam vinte, algo um tanto quanto absurdo. Durante o percurso, conversei com duas moças aparentemente mais velhas que eu. Todas voltando de um dia de trabalho e comentando como essa realidade era assustadora.
Dali a pouco o papo saiu das linhas de metro para a realidade vivida na rua e como aceitamos, ou não, tudo isso. Uma das meninas trabalha perto da Estação República e disse que a prostituição lá é triste, é algo fora da realidade que estamos acostumados. Pois bem, conversamos, compartilhamos nossas visões, e, por fim, concordamos que isso não é certo, é claro.
Minha estação chegou. Me despedi e, com muita dificuldade, sai do trem. Provavelmente nunca mais me encontrarei com aquelas meninas, mas o bate-papo foi saudável e super agradável independente de todo o aperto.
Hoje, por volta das 8h30 o trem estava tranqüilo. Logo na primeira parada já consegui um lugarzinho para sentar, graças a Deus. As estações passaram e mais acentos ficaram liberados. Olhando ao meu redor, vi uma realidade diferente. Dois amigos conversando tranquilamente sentados. Uma senhora loira aguardava tranquilamente a chegada de sua estação. Outras duas moças ouviam musica enquanto tentavam aproveitar os últimos cinco minutinhos de sono no trem. Ao meu lado, uma senhora lia o resumo semanal de todas as novelas possíveis e imagináveis.
Nada de papo. Nada de cordialidade. Nada de convívio social. Cada um na sua. Cada um no seu quadrado.
Refleti como é fácil nos relacionar em meio às dificuldades. Nas necessidades sempre encontramos alguém, de uma forma ou de outra. Mas quando estamos na nossa zona de conforto é difícil olhar para o outro e percebê-lo.
E nós vamos vivendo assim dia após dia. Cada um na sua, sem nem mesmo olhar para o lado.
Mare Fernandes