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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O trem

Em menos de 24h vivi duas realidade diferentes no trem.

A primeira delas aconteceu ontem, as 17h25, quando voltava para casa depois de um dia de trabalho. O trem estava lotado. A cada estação saiam duas pessoas e entravam vinte, algo um tanto quanto absurdo. Durante o percurso, conversei com duas moças aparentemente mais velhas que eu. Todas voltando de um dia de trabalho e comentando como essa realidade era assustadora.

Dali a pouco o papo saiu das linhas de metro para a realidade vivida na rua e como aceitamos, ou não, tudo isso. Uma das meninas trabalha perto da Estação República e disse que a prostituição lá é triste, é algo fora da realidade que estamos acostumados. Pois bem, conversamos, compartilhamos nossas visões, e, por fim, concordamos que isso não é certo, é claro.

Minha estação chegou. Me despedi e, com muita dificuldade, sai do trem. Provavelmente nunca mais me encontrarei com aquelas meninas, mas o bate-papo foi saudável e super agradável independente de todo o aperto.

Hoje, por volta das 8h30 o trem estava tranqüilo. Logo na primeira parada já consegui um lugarzinho para sentar, graças a Deus. As estações passaram e mais acentos ficaram liberados. Olhando ao meu redor, vi uma realidade diferente. Dois amigos conversando tranquilamente sentados. Uma senhora loira aguardava tranquilamente a chegada de sua estação. Outras duas moças ouviam musica enquanto tentavam aproveitar os últimos cinco minutinhos de sono no trem. Ao meu lado, uma senhora lia o resumo semanal de todas as novelas possíveis e imagináveis.

Nada de papo. Nada de cordialidade. Nada de convívio social. Cada um na sua. Cada um no seu quadrado.

Refleti como é fácil nos relacionar em meio às dificuldades. Nas necessidades sempre encontramos alguém, de uma forma ou de outra. Mas quando estamos na nossa zona de conforto é difícil olhar para o outro e percebê-lo.

E nós vamos vivendo assim dia após dia. Cada um na sua, sem nem mesmo olhar para o lado.

Mare Fernandes

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Falando um pouco de Jornalismo

Entre os dias 26 e 29 de abril acontece a 1º Semana de Jornalismo na USCS, faculdade na qual faço o curso em questão.
Acompanhei os dois primeiros dias de debates, o primeiro abordando o Jornalismo esportivo; e o segundo, Jornalismo Cultural.
Os dois dias foram proveitosos, apesar de pessoalmente gostar mais do primeiro.
Algo que me chamou a atenção foi a fala dos palestrantes a respeito da internet. Todos assumem que o advento da nova mídia trouxe transformações na profissão, e muitas diga-se de passagem.
A somatória de possibilidades que encontramos na rede é de fato um diferencial para aqueles que desejam ser jornalistas. A troca de informação, e a valorização da mesma, é avaliada de forma diferente por conta dos blogs,twitter e afins.
Situações corriqueiras que antes eram necessárias horas de apuração, hoje, com um simples clique você tem acesso a todos os detalhes.
Santo twitter, ham?!
Se você quer saber algo das celebridades, (independente se podemos considerar isso como fato jornalístico, ou não) siga-as no twitter, e pronto. Mas, isso não provocaria uma desvalorização do trabalho do jornalista?! Para quê nos querem, afinal?

Ai entra a grande sacada para aqueles que emergem pela profissão: saber utilizar tudo isso. Faça proveito do mundo online ao qual fomos obrigados a nos inserir não somente pelo prazer dos relacionamentos online, mas porque trabalhamos com isso full time.
Saber como divulgar e disseminar determinada informação depende mais do feeling do jornalista à simplesmente o meio em que ele usará para isso!

De fato, tenho visto isso na divulgação do Livres 2010, projeto no qual estou inserida. A divulgação feita através de cartazes e folhetos começou cerca de 40 dias antes do evento, que acontece em 21 e 22 de maio, porém a divulgação na web teve inicio pelo menos 60 dias antes. O resultado foram 500 inscrições antecipadas, somente no período da WEB. Para os que trabalham com eventos do mesmo segmento, ter esses números somente com divulgação na internet é um diferencial. Claro que devemos levar em consideração o público-alvo e o contexto espiritual do evento. Porém um trabalho foi feito e obtivemos resultados positivos através de twitter, Orkut , facebook e sites.

Muitos perguntam sobre os rumos de jornal, emissoras de rádio e televisão e meios de comunicação de massa em geral. No meu ponto de vista, os meios tradicionais serão sempre tradicionais, mas hoje somente informar não é suficiente. Os mesmo canais possibilitam interação entre evento e público, artistas e fãs, assessorias e assessorados e por aí vai. Vemos interação e convergência, ou seja, o tradicional deve, de alguma forma ,se alinhar ao inovador. Ainda há espaço para ambos, desde que respeitando aos avanços incontroláveis das técnologias.